Para quem cresceu num ambiente familiar demasiado exigente no que respeita ao comportamento cívico e politico, que em momentos fundamentais contrastava radicalmente com os padrões oficiais, que uma censura constante, brutal e ameaçadora, coadjuvada por uma policia politica não menos brutal e discricionária, não é fácil encontrar palavras susceptíveis de traduzir a crescente emoção que de nós se apodera, quando começamos a intuir, primeiro, e a acreditar, depois, que um longo sonho, nascido de um desejo persistente, começa a ganhar contornos de realidade.
Foi esta vivência que se apoderou de mim, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974.
A mesma emoção, recordada à distância, ainda hoje se agita no fundo da memória, trazendo consigo a inconfundível musicalidade das vozes populares, gritando “paz” e “liberdade”, saudadas pelo gesto, também inconfundível, de uma criança plantando um cravo vermelho num cano de espingarda transformada em brinquedo.
Foi esta vivência que se apoderou de mim, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974.
A mesma emoção, recordada à distância, ainda hoje se agita no fundo da memória, trazendo consigo a inconfundível musicalidade das vozes populares, gritando “paz” e “liberdade”, saudadas pelo gesto, também inconfundível, de uma criança plantando um cravo vermelho num cano de espingarda transformada em brinquedo.
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