sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril - sonho de olhos abertos

Para quem cresceu num ambiente familiar demasiado exigente no que respeita ao comportamento cívico e politico, que em momentos fundamentais contrastava radicalmente com os padrões oficiais, que uma censura constante, brutal e ameaçadora, coadjuvada por uma policia politica não menos brutal e discricionária, não é fácil encontrar palavras susceptíveis de traduzir a crescente emoção que de nós se apodera, quando começamos a intuir, primeiro, e a acreditar, depois, que um longo sonho, nascido de um desejo persistente, começa a ganhar contornos de realidade.
Foi esta vivência que se apoderou de mim, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974.
A mesma emoção, recordada à distância, ainda hoje se agita no fundo da memória, trazendo consigo a inconfundível musicalidade das vozes populares, gritando “paz” e “liberdade”, saudadas pelo gesto, também inconfundível, de uma criança plantando um cravo vermelho num cano de espingarda transformada em brinquedo.



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